Reflorestar não resolverá aquecimento global, afirma estudo

DA FRANCE PRESSE

Apesar de as florestas serem importantes sumidouros de carbono, os projetos de reflorestamento só terão um impacto limitado no aquecimento global. O alerta parte de um estudo publicado na revista científica “Nature Geoscience”, no domingo (19).

Os pesquisadores Vivek Arora, da Universidade de Victoria (Canadá), e Alvaro Montenegro, da Universidade de St. Francis Xavier (também no Canadá), desenvolveram cinco modelos de reflorestamento que cobrem de2011 a2060.

Os cientistas examinaram seus efeitos no solo, na água e no ar, se a temperatura da superfície terrestre aumentasse 3º C em 2100 com relação aos níveis pré-industriais de 1850.

O resultado demonstra que, mesmo se todas as terras cultivadas do mundo forem reflorestadas, isto só bastaria para reduzir o aquecimento global em 0,45º C no período 2081-2100.

Isto se explica, em particular, porque se exige décadas para que os bosques sejam suficientemente velhos para captar o CO2 que fica estancado durante séculos na atmosfera.

Um reflorestamento de 50% das terras cultivadas só limitaria a elevação da temperatura em 0,25º C.

Evidentemente, nenhuma destas projeções é realista, uma vez que as terras cultivadas são essenciais para alimentar a população do planeta, onde viverão 9 bilhões de pessoas em 2050.

TRÓPICOS LEVAM VANTAGEM

Segundo os outros três modelos, reflorestar as regiões tropicais é três vezes mais eficaz para “evitar o aquecimento” do que fazê-lo em latitudes mais elevadas ou em regiões temperadas.

Os bosques são mais escuros do que as terras cultivadas e, portanto, absorvem mais calor.

Plantar florestas em um solo coberto de neve ou de cerais de cor clara diminui o denominado “efeito albedo”, que é a quantidade de luz solar refletida do solo para o espaço.

“O reflorestamento em si não é um problema, é positivo, mas nossas conclusões indicam que não é uma ferramenta para controlar a temperatura se gases-estufa continuarem a ser emitidos como se faz atualmente”, disse Montenegro à AFP.

“O reflorestamento não pode substituir a redução de emissões de gases de efeito estufa”, concluiu o estudo.

O desmatamento, sobretudo nas selvas tropicais, é causador de 10% a 20% das emissões de gases-estufa do planeta.

 

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